Economia

A jornada dos empreendedores negros: crescimento e barreiras no Brasil

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Nos últimos dez anos, o empreendedorismo negro no Brasil floresceu como uma semente resistente em solo árido, passando de 13,1 milhões para 16 milhões de empresários entre 2014 e 2024. No entanto, essa expansão carrega o peso de desigualdades profundas, reveladas pela pesquisa do Sebrae no quarto trimestre de 2024. Empresários brancos ganham quase o dobro dos negros, com rendimentos médios de R$ 4.607 contra R$ 2.477. O abismo se aprofunda quando se considera gênero e raça: homens brancos lideram com R$ 5.066, enquanto mulheres negras recebem apenas R$ 1.986. Histórias como a de Maria Rosângela de Sousa, maquiadora que abandonou o mercado formal após burnout e longas jornadas por salários baixos, ilustram essa luta. Aos 30 anos, ela encontrou na maquiagem profissional uma forma de independência, enfrentando a instabilidade financeira como maior obstáculo, mas colhendo frutos com dedicação e paciência.

Sandra Campos, fundadora da CollaboRHe Consultoria, ecoa essa narrativa ao destacar a falta de autonomia no mercado formal para mulheres negras, muitas vezes provedoras de lar. Sua empresa foca em gestão humanizada, diversidade e inclusão, servindo como elo para oportunidades que faltam devido a barreiras estruturais. Héctor Vieira, criador da Sankofa Negócios Negros, aponta o impacto psicológico do racismo, como a pressão constante para provar competência, que leva ao desgaste emocional e desistências. Ele enfatiza a importância de redes de apoio entre negros, como mentorias e feiras, para fortalecer o afroempreendedorismo. Carlos Sousa, mentor em posicionamento estratégico, observa uma transformação no movimento, que evoluiu de sobrevivência para inovação, mas ainda enfrenta negociações duras e menor acesso a crédito.

No Distrito Federal, onde 60,8% dos ocupados são negros segundo o IPEDF e Dieese, o racismo persiste, com rendimentos 42,6% menores que os de não negros. Iniciativas como a Sankofa incentivam resistência e prosperidade. Para marcar o Mês da Consciência Negra, o Correio Braziliense promove o debate “Histórias de Consciência: mulheres em movimento” em 19 de novembro de 2025, no auditório do jornal, com transmissão ao vivo pelo YouTube a partir das 14h, celebrando o protagonismo feminino negro.

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