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Belém desperta para o clima: a COP30 inicia com promessas e sombras globais

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Em uma Belém pulsando com a energia de milhares de vozes globais, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, abre suas portas hoje, marcando uma década desde o Acordo de Paris de 2015. A capital paraense, cercada pela exuberância da Amazônia, transforma-se no epicentro de debates urgentes, reunindo representantes de 194 países e da União Europeia, além de ONGs e especialistas. No ar, paira a responsabilidade de limitar o aquecimento global a 1,5°C, mas o Brasil enfrenta olhares críticos pela autorização de exploração de petróleo na Margem Equatorial, que contraria a transição para energias limpas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura conduzida por Simon Stiell, secretário-executivo de Mudanças Climáticas da ONU, reforça o compromisso nacional: “No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris”. Stiell, por sua vez, alerta para eventos recentes como o tornado no Paraná e furacões no Caribe, clamando por ações concretas em meio a um mundo que, segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente, caminha para um aquecimento de 2,3°C a 2,5°C até o fim do século, mesmo com as atuais Contribuições Nacionalmente Determinadas.

Enquanto negociações intensas ocorrem na Zona Azul, restrita a pavilhões oficiais, a Zona Verde abre espaço para o público, promovendo diálogos sobre inovação sustentável e aproximando a agenda climática da vida cotidiana. A ausência dos Estados Unidos, que abandonaram o Acordo de Paris, cria lacunas no financiamento climático, como destaca Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil: “Os outros países precisam ocupar esse espaço e tomar medidas proativas”. O navio do Greenpeace, ancorado em Belém, convida visitantes nos fins de semana, simbolizando a luta coletiva. Uma das apostas é o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com meta de US$ 10 bilhões até 2026, já próximo de US$ 5,5 bilhões, segundo a ministra Marina Silva, embora Cárcamo aponte a necessidade de mais apoio a povos indígenas. Paralelamente, a Casa do Seguro, montada pela Confederação Nacional das Seguradoras, surge como um hub de 1,6 mil m² perto da Zona Azul, com plenárias e eventos temáticos sobre resiliência climática, como cidades resilientes e energias renováveis. Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, enfatiza: “É uma casa para a sociedade, mostrando como o seguro pode ajudar na prevenção e adaptação aos riscos climáticos”.

Com cerca de 50 mil participantes esperados, o evento no Parque da Cidade não é só diplomacia: é um chamado narrativo para jovens como você, que herdarão esse planeta, a imaginarem um futuro onde florestas em pé e energias limpas não sejam apenas promessas, mas realidades tecidas em ações diárias.

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