Distrito FederalEconomiaSegurança

Justiça condena Banco Agibank a restituir valores de empréstimos fraudulentos no golpe da cesta básica

142
Cesta básica com alimentos e documentos bancários simbolizando golpe e decisão judicial no Brasil.

A Vara Cível de Planaltina, no Distrito Federal, declarou a inexistência de três contratos de empréstimo consignado fraudulentos e condenou o Banco Agibank S.A. a restituir valores descontados indevidamente do benefício previdenciário de uma consumidora. A vítima caiu no chamado “golpe da cesta básica” entre 7 e 11 de abril de 2025. A decisão judicial, proferida nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, destaca falhas nos controles de segurança do banco em operações à distância.

O golpe da cesta básica

Fraudadores se passaram por representantes de uma ONG e prometeram uma cesta básica à consumidora. Eles obtiveram fotos de seus documentos pessoais sob esse pretexto. Com esses dados, os golpistas abriram uma conta no Banco Agibank S.A. e contrataram três empréstimos consignados via processo eletrônico, utilizando selfie e biometria facial para validação.

A consumidora só descobriu a fraude ao notar descontos indevidos em seu benefício previdenciário. Ela acionou a Justiça para anular os contratos e recuperar os valores. O golpe explora vulnerabilidades em procedimentos digitais simplificados, comum em fraudes financeiras no Brasil.

A contestação do banco e a decisão judicial

O Banco Agibank S.A. contestou a ação, alegando que os contratos eram válidos com base na validação por selfie e biometria facial. No entanto, a magistrada da Vara Cível de Planaltina rejeitou esses argumentos. Ela apontou falhas nos mecanismos de segurança, que não incluíam verificações adicionais para prevenir ações de fraudadores.

A instituição financeira, ao adotar procedimento tão simplificado e vulnerável à ação de fraudadores, assumiu os riscos da atividade e deve responder pelas falhas no serviço que presta.

A juíza baseou sua decisão na Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece a responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes de terceiros em operações bancárias. Assim, o banco foi condenado a restituir os valores descontados e a declarar a inexistência dos contratos.

Implicações para a segurança bancária

Essa sentença reforça a necessidade de controles mais rigorosos em transações digitais, especialmente para empréstimos consignados. Bancos como o Agibank devem revisar seus protocolos para evitar responsabilidades por falhas de segurança. A decisão pode influenciar outros casos semelhantes, incentivando vítimas de fraudes a buscarem reparação judicial.

No contexto de 2026, com o aumento de golpes digitais, autoridades e instituições financeiras discutem melhorias em biometria e verificações multifatoriais. A consumidora, como autora da ação, representa milhares de vítimas que sofrem prejuízos financeiros devido a vulnerabilidades em serviços bancários remotos.

A Vara Cível de Planaltina, ao proferir essa condenação, envia um alerta ao setor: a simplificação excessiva de processos pode resultar em custos elevados. Especialistas recomendam que consumidores verifiquem regularmente suas contas e benefícios para detectar irregularidades precocemente.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo relacionado

Bola de futsal desgastada em sala da Câmara Legislativa do DF, representando crise de investimentos no esporte.
Distrito FederalEsportesPolítica

Câmara Legislativa homenageia atletas de futsal, mas expõe crise de investimentos no DF

Em meio a crescentes desafios sociais no Distrito Federal, como o aumento...

Barragem de Santa Maria transbordando no DF, expondo riscos na gestão hídrica.
Distrito FederalPolítica

Barragem de Santa Maria transborda após quatro anos e expõe riscos na gestão hídrica do DF

A Barragem de Santa Maria, localizada no Parque Nacional de Brasília, no...

Foto: Comunicação / Gabinete Eduardo Pedrosa
Distrito FederalEconomiaPolítica

Moradores rurais do DF denunciam negligência crônica em falta de água e energia

Moradores de comunidades rurais do Distrito Federal expressaram profunda insatisfação com a...

Marchese lança primeiro espumante de Chenin Blanc do Brasil e conquista ouro
Cultura e LazerDistrito Federal

Marchese lança primeiro espumante de Chenin Blanc do Brasil e conquista ouro no DF

No coração do Cerrado de Altitude, a vinícola Marchese Vinhos & Vinhedos...