Segurança

Suspeito muda depoimento e assume disparo acidental em caso de jovem morta no Sol Nascente

125

Na tarde de uma quarta-feira comum, Carlos Eduardo Pessoa, de 20 anos, sentou-se mais uma vez diante dos investigadores na Divisão de Controle e Custódia de Presos, em Brasília, para revisitar a noite que terminou em tragédia. Suspeito de assassinar Allany Fernanda, de apenas 13 anos, no bairro Sol Nascente, ele decidiu abandonar a narrativa inicial de um rival atirando contra ele e assumiu a autoria do disparo. No entanto, em um tom de arrependimento misturado a desespero, alegou que tudo não passou de um acidente infeliz. Segundo seu advogado, Paulo Sérgio de Melo, Carlos inventou a história do inimigo por pânico puro, temendo as consequências de um erro que mudou vidas para sempre. A reconstrução dos fatos, que durou quase uma hora, pintou um quadro de uma noite que começou leve: o grupo saiu para um bar em Ceilândia, com Carlos, sua namorada, Allany, o suposto namorado dela e uma amiga. Já de madrugada, seguiram para uma kitnet, pedindo sanduíches e até uma pizza de chocolate pelo aplicativo, em um clima que parecia descontraído e sem tensões aparentes.

Mas o que era para ser uma reunião casual de jovens transformou-se em caos quando, conforme o relato de Carlos, ele manuseou uma arma e um tiro acidental ecoou no quarto. A amiga de Allany havia se levantado para pegar mais comida quando o disparo aconteceu, deixando todos atônitos. O advogado, que acompanhou o depoimento, reforça que não há indícios de feminicídio, já que Carlos e Allany não tinham qualquer laço romântico – eles se conheciam há meros três dias. Laudos iniciais revelam marcas de mordidas no peito e braço de Carlos, sugerindo uma luta no local, mas a defesa contesta as lesões no pescoço da vítima, atribuindo-as ao namorado dela. Enquanto a Polícia Civil trata o caso como feminicídio, a equipe de defesa aguarda ansiosamente os próximos passos das investigações, incluindo depoimentos e perícias que possam esclarecer as sombras dessa história.

Para os jovens que acompanham o desenrolar desse drama no cotidiano das cidades, o episódio serve como um lembrete sombrio de como noites comuns podem virar pesadelos imprevisíveis, com vidas interrompidas em instantes de descuido. As autoridades continuam a colher evidências, e o futuro de Carlos depende agora do que as provas dirão sobre intenção ou mero acidente.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo relacionado

Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF
BrasilPolíticaSegurança

Câmara aprova isenção tardia de taxas em concursos para mulheres vulneráveis

Em uma aprovação que chega tardiamente, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS)...

Foto: Carlos Gandra / Agência CLDF
Distrito FederalPolíticaSegurança

Comissão aprova projetos contra crimes no DF, mas atrasos agravam insegurança pública

Comissão de Segurança aprova projetos contra violência escolar, drogas e crimes cibernéticos...

Imagem de ação educativa de trânsito em Brasília, com viaturas do Detran-DF e sinalizações de segurança viária.
Distrito FederalSegurança

Detran-DF conscientiza mais de 2.420 pessoas em ações educativas de trânsito no DF

Detran-DF promove ações educativas de trânsito no DF, conscientizando mais de 2.420...

Fachada do Tribunal de Santa Maria com carro estacionado, simbolizando condenação por homicídio em roubo de veículo.
Distrito FederalSegurança

Tribunal de Santa Maria condena três réus por homicídio em roubo de carro

Tribunal de Santa Maria condena três réus por homicídio qualificado em roubo...