Política

PF mira deputados do PL em operação contra desvios de verbas parlamentares

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A Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e Carlos Jordy (PL-RJ), em uma investigação sobre desvios de recursos da cota parlamentar. Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a ação incluiu a quebra de sigilo bancário dos parlamentares. Na residência funcional de Sóstenes Cavalcante, em Brasília, os agentes encontraram R$ 430 mil em espécie. A operação, batizada de Galho Fraco, apura o uso de empresas de fachada para contratar serviços fictícios ou irregulares de locação de automóveis, com suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Assessores ligados aos deputados, como Itamar de Souza Santana e Adailton Oliveira, são apontados como operadores do esquema, que envolveu pagamentos à empresa Harue Locação de Veículos no valor de R$ 214 mil de Jordy e R$ 192,4 mil de Sóstenes entre 2020 e 2024.

Investigações revelaram que a empresa não opera no endereço declarado e possui apenas cinco veículos, contrastando com locadoras da região que têm frotas maiores. Mensagens de WhatsApp indicaram cobranças “por fora”, e relatórios financeiros apontaram saques e depósitos fracionados em valores até R$ 9.999,00, técnica conhecida como “smurfing” para evitar detecção. Flávio Dino justificou as medidas com base em indícios robustos, autorizando o compartilhamento de dados com a Receita Federal. A ação encerra uma semana de reveses para o PL, partido de Jair Bolsonaro, após a cassação dos mandatos de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro por motivos como condenação em trama golpista e excesso de faltas.

Os deputados negaram irregularidades e alegaram perseguição política. Sóstenes Cavalcante afirmou que o dinheiro encontrado tem origem lícita, da venda de um imóvel, e que apresentará documentação para comprovar. Em coletiva, ele se disse vítima de retaliação por ser da oposição conservadora. Carlos Jordy, em nota e vídeo nas redes sociais, criticou a operação como desdobramento indevido de uma anterior, defendendo que a empresa presta serviços a vários parlamentares e que não cabe a ele fiscalizar sua estrutura. Ele mencionou buscas na casa de seus pais idosos e expressou estranheza por serem alvos enquanto investigam desvios no INSS.

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