Segurança

Rede de farmácias investigada por sonegação milionária continua recebendo repasses federais

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No coração do Gama, no Distrito Federal, uma rede de farmácias e padarias conhecida como Sayonara se vê envolta em uma trama de suspeitas que mais parece enredo de novela policial. Investigada pela Polícia Civil do DF na Operação Bethlehem, deflagrada em 19 de novembro, a empresa é acusada de sonegar mais de R$ 15 milhões em impostos entre 2017 e 2022. Apesar das graves alegações, a drogaria, que opera sob o nome fantasia de Sayonara e recentemente se rebatizou como Drogafarma Vasconcelos, recebeu mais de R$ 1,3 milhão do Ministério da Saúde entre 2014 e 2025, provenientes do programa Farmácia Popular. Esse recurso federal subsidia medicamentos gratuitos ou de baixo custo para a população, e só neste ano, até novembro, foram repassados mais de R$ 50 mil em parcelas mensais, com o último pagamento de R$ 7.087,28 no dia 4. Os sócios, Wanderson Lima Freitas de Abreu, de 44 anos, e João Mendes Saraiva, administram estabelecimentos que funcionam desde 2009 no Setor Central do Gama, e a rede conta com pelo menos quatro empresas no ramo farmacêutico, somando um capital social superior a R$ 280 mil.

O enredo se complica com detalhes do esquema revelados pela polícia: os empresários teriam criado uma empresa fantasma em nome de laranjas – um sobrinho e um funcionário de um contador – para habilitar máquinas de cartão que registravam vendas fora dos balanços oficiais, reduzindo artificialmente o faturamento e sonegando tributos. O delegado Gabriel Eduardo, do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, confirma o envolvimento de pelo menos oito pessoas, com indícios de lavagem de dinheiro, e a suspeita se estende a mais de 20 empresas ligadas ao grupo, incluindo 12 com o nome Sayonara. Wanderson, um dos proprietários, já havia sido preso em 2022 na Operação Massa Fresca por furto de energia em padarias e uma pizzaria no Gama, mas obteve liberdade provisória e, em 2023, um acordo de não persecução penal. Durante a recente operação, foram cumpridos 10 mandados de busca em locais como Gama, Santa Maria, Ceilândia e Valparaíso de Goiás, resultando na apreensão de R$ 107 mil em espécie e seis carros, além do sequestro de bens equivalentes a R$ 15,5 milhões para ressarcir os cofres públicos.

Apesar das investigações, o delegado afirma que não há irregularidades constatadas nos repasses do Farmácia Popular, programa relançado em 2023 pelo presidente Lula para distribuir remédios gratuitos a portadores de diabetes, asma, hipertensão e outras condições, com um orçamento previsto de R$ 4,2 bilhões para 2025. O Ministério da Saúde, ao ser questionado, suspendeu preventivamente os pagamentos à farmácia e iniciou uma apuração interna, enfatizando que mais de 9 mil estabelecimentos foram descredenciados este ano para combater fraudes. A rede Sayonara refutou as acusações, afirmando colaborar com as autoridades e manter transparência, enquanto as farmácias seguem operando normalmente. Os investigados podem enfrentar penas de até 24 anos por crimes como sonegação fiscal, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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