Segurança

A última chamada de Allany: tragédia interrompe a vida de uma adolescente no DF

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Na calada da noite de segunda-feira, uma ambulância cortava as ruas de Ceilândia rumo ao Hospital de Base, carregando Allany Fernanda, de apenas 13 anos, que havia sido baleada na cabeça. A transferência parecia um sopro de esperança para a família, após a menina reagir bem ao tratamento inicial. Mas, três horas e meia depois, às 1h47 de terça-feira, o silêncio foi quebrado por uma mensagem devastadora: “Allany morreu”. Ela se tornou a 25ª vítima de feminicídio no Distrito Federal em 2025, a segunda menor de 18 anos. O suspeito, Carlos Eduardo Pessoa, de 20 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada. Nas redes sociais, uma onda de homenagens surgiu, com fotos e frases como “Dor, saudade e Justiça”, ecoando o luto coletivo.

A Polícia Civil investiga o caso com ceticismo em relação à versão de Carlos, que alegou um invasor rival ter atirado por engano, acertando Allany por volta das 5h20 na quitinete dele em Ceilândia Norte. Ele próprio chamou a Polícia Militar, mas laudos iniciais revelam marcas de mordidas no peito e braço do suspeito, sugerindo uma luta. Uma amiga de Allany, que estava no local, deu um depoimento crucial. A delegada Mariana Almeida, da Deam 2, apura se a menina foi levada à força ou foi voluntariamente, e destaca que o ambiente era precário: um colchão no chão com manchas de sangue, cápsulas de bala recolhidas, mas sem a arma encontrada. Carlos, com histórico de roubo, tráfico, receptação e lesão corporal, e possíveis laços com o PCC, nega o crime e deve ser transferido para a Papuda.

A mãe de Allany, Ivani Oliveira, de 42 anos, contou que deixou a filha no ponto de ônibus no sábado, acreditando que ela voltaria para a avó no Setor O. Uma videochamada no domingo mostrou a menina na casa de uma amiga, mas fontes policiais indicam que ela já estava na quitinete de Carlos. O caso se soma a outros, como o de Géssica Moreira de Sousa, de 17 anos, assassinada em fevereiro por Vandiel Prospero em uma igreja em Planaltina, deixando duas filhas e grávida. Até o momento, detalhes do enterro de Allany não foram definidos, enquanto a família processa o luto em silêncio.

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