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José Antonio Kast vence eleição no Chile e desperta ecos do passado

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O direitista José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara, que reconheceu a derrota e desejou sucesso ao novo líder via Twitter. Kast, um advogado católico conservador de 59 anos, nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que chegaram ao país após a Segunda Guerra Mundial. Sua ascensão política, impensável anos atrás, culminou na terceira tentativa presidencial, após derrotas em 2017 e 2021, quando perdeu para Gabriel Boric. No primeiro turno de novembro, Jara obteve mais votos, mas Kast garantiu a maioria no segundo turno com o apoio de Johannes Kaiser e Evelyn Matthei. Sua plataforma evoca comparações com figuras como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, e ele já elogiou a eleição de Trump em 2024 como um triunfo para a liberdade.

Controvérsias marcam a trajetória de Kast, incluindo o passado de seu pai, Michael Kast, apontado em investigações jornalísticas como membro do partido nazista em 1942, embora o filho negue qualquer ligação familiar com o nazismo. Kast defendeu o regime de Augusto Pinochet, afirmando que votaria nele se vivo, e valoriza avanços econômicos da ditadura, apesar das violações de direitos humanos. Seu irmão Miguel foi ministro durante o período militar. Político de longa data, Kast começou na Universidade Católica, integrou a União Democrática Independente e fundou o Partido Republicano, distanciando-se do “politicamente correto”. Suas propostas incluem cercas nas fronteiras com Bolívia e Peru para conter imigração, inspiração em Bukele para segurança pública e cortes fiscais drásticos, semelhantes às de Milei, visando a “casta política”.

Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, descrevem Kast como representante de uma direita nacionalista populista, alinhada a modelos internacionais, mas sem questionar abertamente a democracia chilena. Nesta campanha, ele minimizou pautas culturais como oposição ao aborto para atrair votos femininos, mantendo convicções católicas conservadoras, como rejeição a contraceptivos artificiais. Sua vitória reflete preocupações com migração e segurança, apesar dos baixos índices de violência no Chile em comparação regional, e sinaliza uma transformação na direita tradicional do país.

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