Distrito Federal

Mulheres negras em movimento: histórias de resistência no mercado de trabalho

163

No coração de Brasília, um painel reuniu vozes potentes para desvelar as camadas ocultas do racismo que ainda moldam o futuro de tantas profissionais. Ilka Teodoro, advogada e ex-administradora do Plano Piloto, compartilhou sua jornada como um rio desviado por barreiras invisíveis: sonhando com a diplomacia, mas guiada pelo Direito em meio a percalços impostos pela desigualdade. “Famílias negras sabem o que é a luta por estabilidade”, ecoou sua voz, pintando um retrato de gerações que priorizam o pragmático sobre o ideal, sempre em busca de um amanhã mais justo. Dora Gomes, à frente do Instituto É Possível, trouxe números que cortam como lâminas: enquanto o desemprego geral beira 6,9%, entre mulheres negras chega a 10,1%, e cargos de liderança são dominados por brancos em 82,6%, deixando pretos com míseros 0,5%. “Diversidade sem poder é só presença”, afirmou ela, desmascarando os filtros silenciosos nos processos seletivos, onde vieses inconscientes fecham portas antes mesmo de uma chance.

Rafaela Santana, administradora e mestranda em psicologia, acrescentou camadas pessoais a esse mosaico, evocando memórias de uma infância marcada pelo “não lugar”, como a filha da empregada em uma casa na Asa Sul, ecoando o filme Que Horas Ela Volta?. “Não basta contratar. É preciso garantir pertencimento”, defendeu, destacando que ascender não garante acolhimento, e que cotas e políticas afirmativas são chaves para virar o jogo. Já a deputada distrital Doutora Jane, pioneira como a primeira negra na Câmara Legislativa, traçou linhas da escravidão às favelas modernas, insistindo que a desigualdade é questão de oportunidades negadas, não de capacidade. “Acredito na educação como ferramenta transformadora”, proclamou, celebrando a aprovação de seu projeto de lei sobre letramento racial, uma ferramenta para desarmar o preconceito e fomentar equidade real.

Juntas, essas mulheres tecem uma narrativa de urgência, clamando por ambientes corporativos que vão além da simbologia, promovendo formação continuada e ações intencionais para que a presença se transforme em poder verdadeiro, inspirando uma geração jovem a questionar e mudar as estruturas que persistem.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo relacionado

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF)
Cultura e LazerDistrito Federal

Exposição Linhas da Resistência na CLDF expõe violações de direitos humanos

A abertura da exposição “Linhas da Resistência” na Câmara Legislativa do Distrito...

Adutora de água inaugurada em Planaltina, DF, com tubulações em área de cerrado
Distrito FederalPolítica

Governo do DF inaugura adutora em Planaltina mas deixa 186 mil sem solução definitiva

A entrega da Adutora de Água Tratada Planaltina 170, realizada nesta sexta-feira...

Sala de aula vazia em escola pública brasileira simbolizando fracasso na educação de jovens e adultos
BrasilDistrito FederalPolítica

ENEJA 2026 expõe fracasso persistente na educação de jovens e adultos

A abertura do XIX Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos...