No coração de Brasília, um painel reuniu vozes potentes para desvelar as camadas ocultas do racismo que ainda moldam o futuro de tantas profissionais. Ilka Teodoro, advogada e ex-administradora do Plano Piloto, compartilhou sua jornada como um rio desviado por barreiras invisíveis: sonhando com a diplomacia, mas guiada pelo Direito em meio a percalços impostos pela desigualdade. “Famílias negras sabem o que é a luta por estabilidade”, ecoou sua voz, pintando um retrato de gerações que priorizam o pragmático sobre o ideal, sempre em busca de um amanhã mais justo. Dora Gomes, à frente do Instituto É Possível, trouxe números que cortam como lâminas: enquanto o desemprego geral beira 6,9%, entre mulheres negras chega a 10,1%, e cargos de liderança são dominados por brancos em 82,6%, deixando pretos com míseros 0,5%. “Diversidade sem poder é só presença”, afirmou ela, desmascarando os filtros silenciosos nos processos seletivos, onde vieses inconscientes fecham portas antes mesmo de uma chance.
Rafaela Santana, administradora e mestranda em psicologia, acrescentou camadas pessoais a esse mosaico, evocando memórias de uma infância marcada pelo “não lugar”, como a filha da empregada em uma casa na Asa Sul, ecoando o filme Que Horas Ela Volta?. “Não basta contratar. É preciso garantir pertencimento”, defendeu, destacando que ascender não garante acolhimento, e que cotas e políticas afirmativas são chaves para virar o jogo. Já a deputada distrital Doutora Jane, pioneira como a primeira negra na Câmara Legislativa, traçou linhas da escravidão às favelas modernas, insistindo que a desigualdade é questão de oportunidades negadas, não de capacidade. “Acredito na educação como ferramenta transformadora”, proclamou, celebrando a aprovação de seu projeto de lei sobre letramento racial, uma ferramenta para desarmar o preconceito e fomentar equidade real.
Juntas, essas mulheres tecem uma narrativa de urgência, clamando por ambientes corporativos que vão além da simbologia, promovendo formação continuada e ações intencionais para que a presença se transforme em poder verdadeiro, inspirando uma geração jovem a questionar e mudar as estruturas que persistem.
Deixe um comentário