Distrito Federal

Nos corredores da resistência: profissionais negros transformam a saúde no DF

260

No mês da Consciência Negra, as histórias de profissionais negros na saúde pública do Distrito Federal emergem como fios de uma tapeçaria ainda em tecelagem, onde dedicação e resiliência tecem caminhos contra o racismo estrutural. Janayna Bispo, fisioterapeuta neonatal com 18 anos de experiência e chefe da UTI Neonatal no Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb/Ebserh), ingressou no sistema por cotas raciais em 2014 e hoje lidera com uma visão antirracista. Ela recorda o espanto alheio ao vê-la no comando, e um episódio marcante: uma mãe que, pela primeira vez, se sentiu verdadeiramente vista em uma UTI, abrindo-se sobre medos que impulsionaram a recuperação do bebê. Janayna organiza eventos como “Raízes que curam” para sensibilizar colegas, alunos e residentes, perpetuando um conhecimento que desmonta desigualdades. Enquanto isso, dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) revelam 15.487 profissionais negros atuando na rede pública, um número que reflete avanços, mas também a persistência de barreiras.

Júlia Carolina Ribeiro, neurologista no Hospital DF Star da Rede D’Or, navega por uma carreira que exige o dobro de esforço como mulher negra, encontrando alento em empresas com políticas de inclusão. Seus pacientes, como uma senhora centenária que nunca havia sido atendida por uma médica negra, reforçam seu orgulho e compromisso. Eudes Judith Félix, técnica de enfermagem na Unidade Básica de Saúde 20 de Planaltina há 20 anos, enfrenta agressões verbais e termos pejorativos, mas usa a educação como ferramenta para afirmar sua capacidade, acolhendo pacientes negros que a procuram por se sentirem mais confortáveis. Essas narrativas não são isoladas; elas ecoam em jovens como João Victor Moraes, estudante de enfermagem na UnB em Ceilândia, que vê sua presença na universidade como esperança para outros, combatendo o racismo institucional na assistência a mulheres negras e indígenas, as mais afetadas pela mortalidade materna.

Para esses profissionais, o Dia da Consciência Negra simboliza vitórias coletivas, uma corrente de mãos dadas que puxa os que ainda lutam para alcançar o mesmo patamar, transformando o sistema de saúde em um espaço de cuidado verdadeiramente inclusivo.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo relacionado

Bairro Sol Nascente em Brasília com ruas de terra e promessas de pavimentação
Distrito FederalPolítica

Celina Leão encerra campanha no Sol Nascente com promessas de pavimentação

Na tarde de sábado, 3 de outubro, o Sol Nascente viu Celina...

Arquitetura do TJDFT em Brasília com áreas verdes representando inventário de emissões de carbono
BrasilDistrito Federal

TJDFT avança para prata em inventário de emissões de carbono

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios alcançou a...

Foto: Lucas Peres/Comunicação Paula Belmonte
CeilândiaDistrito FederalPolítica

Paula Belmonte recebe bênção do cardeal Dom Paulo Cezar Costa em Ceilândia

Na manhã de 2 de outubro, Paula Belmonte começou o dia distribuindo...