O Lago Paranoá registrou um aumento de 71,43% nos casos de afogamento em 2025, com 24 ocorrências de janeiro ao início de dezembro, contra 14 em todo o ano anterior, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Esse crescimento consolida o lago como o principal ponto de acidentes aquáticos no Distrito Federal, apesar de uma leve redução geral nas ocorrências no DF, que caíram de 62 para 53 no mesmo período. De acordo com o capitão Ramón Lauton, chefe da Seção de Salvamento Aquático do CBMDF, os fatores incluem o calor atípico deste ano, que atrai mais banhistas, e a liberação de passagens gratuitas aos domingos pelo GDF, o que aumentou significativamente o fluxo na orla da Ponte JK e na Prainha do Lago Norte. Para mitigar os riscos, a corporação instalou um posto adicional de guarda-vidas nesses locais, com seis militares, e intensifica rondas em fins de semana e feriados. O consumo de álcool é apontado como um fator comum nos acidentes, incentivando brincadeiras perigosas, e as orientações incluem evitar saltos de cabeça, nadar para longe sem preparo e usar flutuadores improvisados, além de priorizar coletes salva-vidas em embarcações.
Entre as vítimas, destacam-se a adolescente Kauanne Victoria de Sousa, de 17 anos, que morreu em 18 de abril na Península dos Ministros, no Lago Sul, ao não conseguir retornar à margem, e um homem de 31 anos identificado como P. L. S., falecido em 24 de abril após ficar submerso por dez minutos. Outros quatro óbitos ocorreram no lago este ano. Fora do Paranoá, o jovem Álvaro Lemos, de 19 anos, morreu afogado na cachoeira do setor Incra 7, em Brazlândia, no dia 7 de dezembro, sob influência de álcool, apesar de esforços de resgate com RCP. Frequentadores como Dalton Nascimento Santos, que aluga equipamentos aquáticos, relatam maior incidência em épocas quentes devido ao álcool, enquanto banhistas como Pedro Henrique e Edson Silva criticam a insuficiência de salva-vidas para o tamanho do lago e o volume de pessoas.
Especialistas enfatizam os perigos: o professor de enfermagem Marcos André de Souza Lima explica que o afogamento causa hipóxia aguda, com danos cerebrais irreversíveis em minutos, e sequelas como déficits cognitivos e lesões pulmonares. O educador físico Wilson Brasil recomenda habilidades básicas de natação, como flutuar e respirar corretamente, e sugere iniciar aulas para crianças a partir dos três meses. Histórias como a de Núria Milhomem, que quase perdeu o filho Gabriel em uma piscina do Parque Água Mineral, reforçam a importância da vigilância e da educação aquática para prevenir tragédias.
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