Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro, Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrenta seu período de maior desgaste, com críticas de governistas e oposicionistas. Monitoramentos digitais, como a pesquisa da agência Ativaweb realizada em 9 e 10 de dezembro, revelam que 72,8% das menções a Motta nas redes sociais foram negativas, totalizando 7.345.109 referências. O foco principal recai sobre a tumultuada sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria, marcada por confrontos, uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas do plenário e interrupção do sinal da TV Câmara. De acordo com o levantamento, apenas uma em cada dez manifestações sobre o episódio não criticava o presidente da Casa. Esse desgaste se soma a controvérsias anteriores, como a condução da “PEC da Blindagem”, criticada por ampliar garantias a congressistas contra investigações da Polícia Federal e rejeitada até pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Manifestações em 21 de setembro aceleraram o arquivamento da proposta, e Motta chegou a acionar judicialmente o Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba por outdoors críticos em João Pessoa.
A desconfiança em relação a Motta se intensificou com o Palácio do Planalto, apesar de sua eleição com 444 votos, apoiada por um amplo arco de alianças, incluindo PT e PL. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou dúvidas sobre a experiência de Motta antes do pleito, em conversas com Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Odair Cunha (PT-MG). Em junho, Motta pautou um projeto para sustar o aumento do IOF, o que o governo viu como quebra de acordo e sabotagem. Em novembro, o rompimento público com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), agravou as tensões, com acusações mútuas de imaturidade e enfraquecimento de autoridade. Cientistas políticos, como Leonardo Paz Neves, da FGV, apontam que Motta carece de base sólida e equilibra-se precariamente entre governo e oposição, insatisfazendo ambos. Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco, do Iesp-Uerj, destaca o custo institucional para a Câmara, com perda de credibilidade devido à falta de acordos prévios.
O inferno astral de Motta persiste, com pressões sobre o futuro de deputados como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), em meio à cassação de Carla Zambelli (PL-SP) pelo STF. Protestos marcados para hoje, convocados por entidades como PT, Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio de artistas e influenciadores, criticam Motta como patrocinador do PL da Dosimetria, visto como retrocesso ou anistia indireta a condenados por tentativas de golpe. No Senado, o texto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), e o governo planeja barrá-lo na CCJ ou vetá-lo integralmente por Lula.
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