Mulheres de diversas regiões do Distrito Federal participaram, neste domingo (7), de uma manifestação pelo fim da violência contra as mulheres, organizada pelo Levante Mulheres Vivas. O protesto, que ocorreu na Torre de TV a partir das 10h, faz parte de ações simultâneas em pelo menos 20 estados brasileiros, com o objetivo de denunciar o aumento nos casos de feminicídio e combater todas as formas de violência que ameaçam a liberdade, o respeito e a segurança das mulheres. Mobilizadas por coletivos feministas, movimentos sociais e organizações, as participantes romperam o silêncio para exigir justiça e o fim da impunidade, conforme destacou Ana Carolina Oliveira Tessmann, coordenadora do Levante no DF. Ela enfatizou a união de mulheres de diversas origens, autoridades e movimentos sociais em prol da causa, afirmando que a sociedade não tolerará mais perdas. Durante o ato, foram discutidas a fragilidade da rede de apoio legal, a ausência de políticas públicas eficazes e o impacto de discursos de ódio nas redes sociais como agravantes da violência.
Um dos focos centrais do evento foi o recente feminicídio de Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, ocorrido na sexta-feira (5), com Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, como principal suspeito, que a esfaqueou e ateou fogo nela no quartel do Exército. O Distrito Federal registra 26 casos neste ano, e várias mortes foram relembradas, atraindo um grande coletivo de mulheres e homens em apoio. A primeira-dama Janja Lula da Silva marcou presença e discursou pedindo legislações mais duras contra o feminicídio, criticando a impunidade e a leniência do Judiciário. Ela defendeu mudanças rápidas no Código Penal para evitar que agressores sejam soltos rapidamente, destacando a necessidade de políticas públicas e uma postura mais firme dos homens na sociedade.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, em entrevista, reforçou que o ato ocorre em uma semana marcada pela tristeza da morte de Maria de Lourdes, defendendo uma luta coletiva pela vida e respeito às mulheres. Ana Cleia Holanda, de 60 anos, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio em 2020, compartilhou sua história de agressão pelo ex-companheiro, que resultou em graves sequelas físicas, e criticou a falta de reparação do Estado e a conversão de seu caso para homicídio simples, enfraquecendo a lei de proteção às mulheres na capital federal. O movimento busca pressionar por transformações políticas para combater a violência de forma efetiva.
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