O sol da tarde carioca iluminava o caminho enquanto o Flamengo se despedia da cidade rumo a uma batalha épica. Após um empate por 1 a 1 com o Atlético-MG em Belo Horizonte, que praticamente selou o título do Campeonato Brasileiro, o time rubro-negro foi envolvido por uma onda de paixão incontrolável. Milhares de torcedores transformaram os 45 quilômetros entre o Ninho do Urubu e o Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional do Galeão em uma verdadeira celebração itinerante, batizada de AeroFla. Era como se o Rio de Janeiro inteiro pulsasse com o sonho da Glória Eterna, com faixas, cantos e uma energia que misturava ansiedade e orgulho. Os jogadores, ainda com o eco do jogo anterior nos músculos, seguiam no ônibus, cercados por uma multidão que não media esforços para demonstrar apoio, subindo no veículo e até invadindo pela saída de emergência no teto, em cenas que pareciam saídas de um filme de aventura urbana.
Mas o que começou como uma festa vibrante ganhou contornos de tensão no desfecho. No aeroporto, a multidão se aglomerou de tal forma que a polícia militar interveio, lançando bombas de efeito moral e gás de pimenta para dispersar os torcedores mais exaltados. O caos momentâneo contrastava com a empolgação inicial, lembrando como a linha entre paixão e desordem pode ser tênue em momentos de alta emoção. Apesar do tumulto, a delegação flamenguista seguiu viagem, com chegada prevista em Lima às 23h25 daquela quarta-feira, preparando-se para o confronto decisivo contra o Palmeiras na final da Copa Libertadores, marcado para sábado às 18h, horário de Brasília.
Para os jovens torcedores que acompanharam de perto ou pelas redes, o episódio do AeroFla se torna uma história viva de devoção ao clube, misturando a adrenalina da rua com a expectativa de uma conquista histórica. O Flamengo, conhecido como Rubro-Negro da Gávea, carrega não só as esperanças de uma nação, mas também o peso de transformar sonhos coletivos em realidade no gramado peruano.
Deixe um comentário