Em meio ao burburinho de delegações internacionais e o ar úmido da capital paraense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco da COP30 nesta segunda-feira, 10 de novembro, para um discurso que ecoou como um chamado à ação. Com o rio Amazonas como pano de fundo simbólico, Lula não poupou críticas aos líderes globais que rejeitam a agenda ambiental, rotulando-os de “negacionistas” e “obscurantistas” que manipulam algoritmos para semear ódio e medo. Ele pintou um quadro vívido das mudanças climáticas não como uma ameaça distante, mas como uma “tragédia do presente”, destacando o tornado que deixou seis mortos no Paraná e o furacão Melissa, responsável por cerca de 60 vítimas no Caribe no final de outubro. Para o público jovem, que lotava as ruas de Belém em busca de esperança, as palavras de Lula ressoaram como um lembrete de que o futuro está nas mãos de quem age agora, especialmente em comunidades vulneráveis que sofrem o impacto desproporcional do aquecimento global.
Lula enfatizou os progressos do Acordo de Paris, alertando que sem ele o mundo rumaria para um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século. No entanto, ele admitiu que o ritmo atual ainda nos direciona para um aumento superior a 1,5 grau, um risco inadmissível que exige aceleração imediata. Em referência à resistência de figuras da extrema-direita, como o presidente americano Donald Trump, que criticou o evento em suas redes sociais mencionando a rodovia Avenida Liberdade como um “escândalo”, Lula defendeu o multilateralismo e atacou quem ignora a ciência e as instituições. A COP30, chefiada pelo embaixador André Corrêa do Lago e sediada em Belém até 21 de novembro, transforma a cidade em um epicentro de negociações climáticas, onde delegações de países, sociedade civil e organismos internacionais buscam soluções concretas.
Enquanto Belém pulsa com o evento, o discurso de Lula serve como um espelho para as realidades locais, onde o aumento da temperatura global espalha dor entre populações mais pobres, como as ribeirinhas da Amazônia. É um convite narrativo para que a juventude se engaje, reconhecendo que combater o negacionismo não é só política, mas uma luta pela sobrevivência coletiva em um planeta em mudança.
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