No coração do Centro-Sul do Paraná, a noite de sexta-feira se transformou em um caos inimaginável quando um tornado de categoria F3, com ventos rugindo a até 250 quilômetros por hora, varreu a região. Rio Bonito do Iguaçu, a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, foi o epicentro da fúria climática, com até 90% de sua área urbana devastada. Seis vidas foram ceifadas, e 750 pessoas precisaram de atendimento médico até o início da tarde de sábado, muitas delas encaminhadas para hospitais em Laranjeiras do Sul, Cascavel e Guarapuava. Quatro vítimas passaram por cirurgias urgentes, enquanto o secretário de Saúde do estado, Beto Preto, descreveu um cenário desolador: as estruturas de saúde locais colapsadas, com apenas um centro ainda em funcionamento, graças a uma força-tarefa das prefeituras vizinhas. O prefeito Sezar Augusto Bovino lamentou a destruição quase total da cidade, que deixou cerca de 10 mil impactados, 28 desabrigados e mil desalojados, tornando qualquer levantamento preciso uma missão árdua no momento.
Em meio ao entulho e à dor, a resposta veio rápida e coordenada. O governador Ratinho Jr. chegou cedo à cidade, anunciando uma parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia para acelerar a avaliação dos danos e a reconstrução de casas. Linhas de crédito e apoios diversos foram prometidos para mitigar os prejuízos em setores variados. Do plano nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou equipes da Defesa Civil Nacional e enviou a ministra Gleisi Hoffmann para supervisionar os esforços. O Ministério da Saúde despachou uma equipe da Força Nacional do SUS, composta por cinco especialistas – incluindo um em saúde mental para desastres –, para reativar serviços, apoiar a gestão local e oferecer assistência psicossocial, garantindo que a população afetada retome o atendimento integral o mais breve possível.
Enquanto a poeira ainda não assentou, histórias de resiliência emergem: vizinhos se unindo para manter um único posto de saúde aberto, e autoridades correndo contra o tempo para quantificar desabrigados e planejar a recuperação. O fenômeno, monitorado pelo Simepar, serve como lembrete da força imprevisível da natureza, mas também da capacidade humana de se reerguer unida.
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