Imagine entrar na cozinha de uma escola pública no Distrito Federal e encontrar pacotes de arroz repletos de carunchos vivos, larvas se movendo na canjica servida aos alunos, e depósitos infestados de moscas e baratas. Essa cena, que parece saída de um filme de terror, é a realidade descrita em um relatório do Conselho de Alimentação Escolar do DF (CAE-DF), apresentado ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Na última quarta-feira, o TCDF determinou que a Secretaria de Estado de Educação do DF (SEE-DF) apresente explicações em até 10 dias sobre essas denúncias graves. Fiscalizações realizadas em abril e maio deste ano, em regiões como Planaltina, Riacho Fundo, Samambaia, Taguatinga e Plano Piloto, revelaram contaminações reincidentes. No Centro de Ensino Médio 2 de Planaltina e no Centro de Educação Infantil 8 de Taguatinga, dezenas de pacotes de arroz estavam impróprios para consumo, enquanto no Centro Educacional 1 do Riacho Fundo, uma aluna filmou larvas na canjica, confirmadas por visitas técnicas. Além disso, feijões contaminados, carne sem identificação de procedência e instalações inadequadas, com falta de ventilação e tubulações expostas, agravavam o quadro.
O problema se estende além das cozinhas: no Depósito Central da SEE-DF, mais de 48 toneladas de arroz foram isoladas devido à contaminação, e inspeções anteriores flagraram insetos próximos às áreas de preparo e refrigeradores sem controle de temperatura. Em junho, o CAE-DF apontou irregularidades na carne fornecida pela empresa Frioli Oliveira Ltda, com excesso de gordura, plásticos, couro e fragmentos de rótulos, afetando escolas como o CEF Santos Dumont em Santa Maria, além de unidades em Samambaia, Taguatinga e Plano Piloto. Uma auditoria do TCDF em 17 escolas mostrou que cerca de 47% não tinham água potável, com laudos indicando impropriedade e falta de manutenção em caixas d’água, como na Escola Classe 50 de Ceilândia, onde a limpeza não era feita há mais de seis meses por questões estruturais.
Diante disso, o TCDF cobra da SEE-DF melhorias nos controles de qualidade, monitoramento de estoques e condições de armazenamento para proteger as refeições de mais de 400 mil alunos. Em nota, a secretaria afirma não ter sido notificada oficialmente sobre o relatório, mas que acompanha as apurações, realiza fiscalizações periódicas por nutricionistas e apura denúncias, podendo aplicar sanções a fornecedores. Quando irregularidades são detectadas, solicita análises laboratoriais ao Lacen-DF e substituição imediata dos produtos, garantindo estar à disposição dos órgãos de controle.
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